terça-feira, 21 de março de 2017

Corpo significado

EDUCAÇÃO FÍSICA – PROFESSORA JANAINA

Corpo significado
    Qual o significado de corpo (saúde, força, identidade, estética, qualidade de vida e beleza) dentro de um contexto social? Podemos pensar numa maneira de responder a essa pergunta, levando-se em consideração quais são os valores culturais que a nossa sociedade tem relacionado ao padrão físico ideal. Contemporaneamente, as questões da imagem corporal têm representado a aceitação ou não do indivíduo em todas as esferas (social, cultural, política e econômica) da sua interação, seja no trabalho ou nas relações pessoais, podendo o corpo tornar-se inclusive fator de discriminação e exclusão social, caso o indivíduo estiver fora dos limites estabelecidos pelos padrões vigentes em nossa sociedade.
    Mas, o que vem a ser corpo? Para Neto (1996, p. 9): "O corpo é a base da percepção e organização da vida humana nos sentidos biológico, antropológico, psicológico e social". Desse modo, todo nosso agir, falar, sentir, andar e pensar representam modos de vida diferentes, de um determinado grupo social. Hoje, em pleno século XXI, nunca o corpo foi tão valorizado, nunca o corpo foi tão cultuado, um culto que exige, em sua maioria, sacrifícios.
O corpo passou a ser palco privilegiado da ascensão, da aceitação social. Entretanto, o problema que se impõe é que por trás desta busca incessante pelo belo, pelo estar bem consigo mesmo, há, de acordo com Neto (1996, p. 10), um "narcisismo e um individualismo exacerbados que levam as pessoas a acreditar no elixir da vida, em poções mágicas, na juventude eterna". Podemos observar que, para se sentirem entre os belos, os indivíduos fazem de tudo, até procedimentos que podem acabar mal, como, por exemplo, o caso da mulher que teve queimaduras em seu corpo após ter se submetido a sessões de bronzeamento artificial. Com efeito, "no século XXI, o risco que muitos preferem evitar é o de serem diferentes. A palavra de ordem hoje é intolerância à feiúra, à diferença" (ZERO HORA, 2007, p. 18).
    Nunca tantos medicamentos, moderadores de apetites e suplementos nutritivos foram criados para atenderem a busca do corpo perfeito. Também, nunca tanto dinheiro foi gasto, investido em academias, em clínicas de tratamento cirúrgico e estético e em pesquisas para atender esta demanda pela busca do "corpo ideal", magro e jovem. O culto excessivo à magreza cria um desequilíbrio. Se, antes, emagrecer era tornar-se saudável, agora, torna-se insana obsessão e, dessa forma, vem provocando mudanças nos padrões de comportamento humano. Cada vez mais o indivíduo precisa ser magro para se sentir magro e menos gordo para se sentir gordo (ZERO HORA, 2007).
    A dedicação ao cuidado do corpo exacerbou os aspectos meramente físicos, tornando-se o próprio corpo um cartão de visitas que antecede a própria comunicação verbal do indivíduo. O corpo, paradoxalmente, passa a ser algo muito mais do que os seus aspectos físicos ou funcionais. Ele, em si próprio, comunica mais do que o próprio indivíduo, já que é por meio dele que se dá a primeira percepção do mundo exterior ao nascer, antes mesmo da consciência do próprio ser.
    O corpo tornou-se um símbolo dentro da sociedade que o considerará aceitável, ou não, conforme a cultura daquela estrutura social. O indivíduo é visto através de uma lente cultural. Há uma idealização da imagem corporal como padrão que deverá ser seguido. No meio escolar, por exemplo, que é constituído por crianças e adolescentes que estão se sociabilizando, a imagem do corpo é tomada como importante fator de identidade e de comunicação.
    Devido às intensas transformações de origem bioquímica que passa o corpo humano, nas fases da infância e da adolescência, esse padrão torna-se um árduo desafio, e essas crianças e adolescentes quando não correspondem à imagem "ideal", formada pela sociedade e divulgada pela mídia, encontram dificuldades de adequação, sentindo-se inseguros em relação ao seu próprio corpo e a sua aceitabilidade no meio social e escolar. O padrão ideal imposto pela mídia pode custar um sentimento de inapropriação aos indivíduos que, por ventura, não corresponderem ao "modelo" presente no imaginário popular - um anseio pela aceitabilidade sempre muito caro. Vivemos, de certa forma, numa cultura em que tudo vale a pena para ser belo, para conquistar o ideal estético (ZERO HORA, 2007).
        Portanto, o ideal é pensarmos o corpo como objeto da educação, ou seja, é reconhecer que o conhecimento emerge do corpo a partir das experiências vividas. Experiências, essas, que estão relacionadas tanto com a autonomia do corpo quanto com a sua dependência ao meio, a cultura e a sociedade em que vive. Nesse contexto, consideramos que, na própria ação, já há cognição, uma vez que a aprendizagem emerge do corpo a partir das suas relações com o entorno (MENDES; NÓBREGA, 2004).


Fonte: http://www.efdeportes.com/efd113/o-corpo-na-contemporaneidade.htm

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