EDUCAÇÃO FÍSICA –
PROFESSORA JANAINA
Corpo significado
Qual o significado de corpo
(saúde, força, identidade, estética, qualidade de vida e beleza) dentro de um
contexto social? Podemos pensar numa maneira de responder a essa pergunta, levando-se
em consideração quais são os valores culturais que a nossa sociedade tem
relacionado ao padrão físico ideal. Contemporaneamente, as questões da imagem
corporal têm representado a aceitação ou não do indivíduo em todas as esferas
(social, cultural, política e econômica) da sua interação, seja no trabalho ou
nas relações pessoais, podendo o corpo tornar-se inclusive fator de
discriminação e exclusão social, caso o indivíduo estiver fora dos limites
estabelecidos pelos padrões vigentes em nossa sociedade.
Mas, o que vem a ser corpo?
Para Neto (1996, p. 9): "O corpo é a base da percepção e organização da
vida humana nos sentidos biológico, antropológico, psicológico e social".
Desse modo, todo nosso agir, falar, sentir, andar e pensar representam modos de
vida diferentes, de um determinado grupo social. Hoje, em pleno século XXI,
nunca o corpo foi tão valorizado, nunca o corpo foi tão cultuado, um culto que
exige, em sua maioria, sacrifícios.
O corpo passou a ser
palco privilegiado da ascensão, da aceitação social. Entretanto, o problema que
se impõe é que por trás desta busca incessante pelo belo, pelo estar bem
consigo mesmo, há, de acordo com Neto (1996, p. 10), um "narcisismo e um
individualismo exacerbados que levam as pessoas a acreditar no elixir da vida,
em poções mágicas, na juventude eterna". Podemos observar que, para se
sentirem entre os belos, os indivíduos fazem de tudo, até procedimentos que
podem acabar mal, como, por exemplo, o caso da mulher que teve queimaduras em
seu corpo após ter se submetido a sessões de bronzeamento artificial. Com
efeito, "no século XXI, o risco que muitos preferem evitar é o de serem
diferentes. A palavra de ordem hoje é intolerância à feiúra, à diferença"
(ZERO HORA, 2007, p. 18).
Nunca tantos medicamentos,
moderadores de apetites e suplementos nutritivos foram criados para atenderem a
busca do corpo perfeito. Também, nunca tanto dinheiro foi gasto, investido em
academias, em clínicas de tratamento cirúrgico e estético e em pesquisas para
atender esta demanda pela busca do "corpo ideal", magro e jovem. O
culto excessivo à magreza cria um desequilíbrio. Se, antes, emagrecer era
tornar-se saudável, agora, torna-se insana obsessão e, dessa forma, vem
provocando mudanças nos padrões de comportamento humano. Cada vez mais o
indivíduo precisa ser magro para se sentir magro e menos gordo para se sentir
gordo (ZERO HORA, 2007).
A dedicação ao cuidado do
corpo exacerbou os aspectos meramente físicos, tornando-se o próprio corpo um
cartão de visitas que antecede a própria comunicação verbal do indivíduo. O
corpo, paradoxalmente, passa a ser algo muito mais do que os seus aspectos
físicos ou funcionais. Ele, em si próprio, comunica mais do que o próprio
indivíduo, já que é por meio dele que se dá a primeira percepção do mundo
exterior ao nascer, antes mesmo da consciência do próprio ser.
O corpo tornou-se um
símbolo dentro da sociedade que o considerará aceitável, ou não, conforme a
cultura daquela estrutura social. O indivíduo é visto através de uma lente
cultural. Há uma idealização da imagem corporal como padrão que deverá ser
seguido. No meio escolar, por exemplo, que é constituído por crianças e
adolescentes que estão se sociabilizando, a imagem do corpo é tomada como
importante fator de identidade e de comunicação.
Devido às intensas
transformações de origem bioquímica que passa o corpo humano, nas fases da
infância e da adolescência, esse padrão torna-se um árduo desafio, e essas
crianças e adolescentes quando não correspondem à imagem "ideal",
formada pela sociedade e divulgada pela mídia, encontram dificuldades de
adequação, sentindo-se inseguros em relação ao seu próprio corpo e a sua
aceitabilidade no meio social e escolar. O padrão ideal imposto pela mídia pode
custar um sentimento de inapropriação aos indivíduos que, por ventura, não
corresponderem ao "modelo" presente no imaginário popular - um anseio
pela aceitabilidade sempre muito caro. Vivemos, de certa forma, numa cultura em
que tudo vale a pena para ser belo, para conquistar o ideal estético (ZERO
HORA, 2007).
Portanto,
o ideal é pensarmos o corpo como objeto da educação, ou seja, é reconhecer que
o conhecimento emerge do corpo a partir das experiências vividas. Experiências,
essas, que estão relacionadas tanto com a autonomia do corpo quanto com a sua
dependência ao meio, a cultura e a sociedade em que vive. Nesse contexto,
consideramos que, na própria ação, já há cognição, uma vez que a aprendizagem
emerge do corpo a partir das suas relações com o entorno (MENDES; NÓBREGA,
2004).
Fonte: http://www.efdeportes.com/efd113/o-corpo-na-contemporaneidade.htm
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